Aysén, patagônia selvagem PDF Imprimir E-mail

Para quem ainda pensa somente em Torres del Paine quando ouve falar de patagônia chilena, está mais que na hora de conhecer Aysén, a patagônia norte ainda selvagem, inexplorada – e absolutamente sedutora.

 

Chegar à patagônia norte do Chile, ou patagônia Aysén (www.patagoniaaysen.com/), é por si só um desafio – exige belas horas de voo à Balmaceda (via Santiago) e depois carro para encarar a mítica Carretera Austral. Esse trecho patagônico norte fica compreendido entre Puerto Montt/Puerto Varas, da região dos lagos, e Villa O´Higgins, já no campo de gelo sul. Aysén, especificamente, vai de Puerto Aysén a Villa O´Higgins, atravessada pela mítica e rústica estrada, cheia de curvas (e com menos de oito anos de existência, conectando, finalmente, essa parte do Chile ao restante do país). Chamada também de “patagônia selvagem”, Aysén ainda não conta com superproduções hoteleiras, como Torres del Paine, mas faz a gente babar com a infinidade de quedas d´agua, glaciares, fiordes, rios e picos nevados que apresenta o tempo todo ao visitante.

A viagem é longa, sobretudo porque, via carretera austral, meros 100km podem virar até 2h de estrada; mas vale o esforço, por suas paisagens praticamente virgens, sem grandes interferências humanas, interessantíssimas. Enfrentar as maxi curvas da Carretera Austral é tarefa para poucos, já que é preciso 100% de atenção full time – se você não tem um belo 4x4 nem é praticante assíduo de mountain bike, melhor deixar a tarefa para empresas especializadas, como a Patagonia Silvestre (www.patagoniasilvestre.cl). Foi através do ultra simpático Don Mário Concha Carrasco, chofer dessa empresa, que percorri mais de 2.000km dessa bela região em extrema segurança e tranquilidade.

Meu roteiro completo foi de Balmaceda a Villa O´Higgins, ida e volta, com escalas em Coihaique, Puerto Aysén, Cochrane, Puerto Guadal, Tortel e outros belíssimos lugares, de lagos e rios a reservas naturais, com direito a flyfishing, trekkings, cavalgada, vários passeios de barco e safáris fotográficos. Surpreendente, pra dizer o mínimo – e com os grandes benefícios de uma região ainda quase “virgem” em termos turísticos. Belos parques, como a Reserva Nacional Coiaique ou a Reserva Nacional Tamango, seduzem o viajante, assim como o impactante Cerro Castillo e a inesquecível Catedral de Mármol, uma formação rochosa que se ergue em pleno lago.

 

Na hora da hospedagem, boas opções são: em Coiaique, o belo Salmo Patagonia Lodge (www.patagoniadream.com), cuidado nos mínimos detalhes pelo proprietário, com 12 mil hectares de propriedade e opções para qualquer tipo de viajante se entreter; em Puerto Guadal, a grande estrela ali é o hotel Hacienda Tres Lagos (www.haciendatreslagos.cl), com quartos muito grandes (com varandas deliciosas de frente para o lago), decoração elegante e serviço gentil; e em Tortel, o Entre Hielos (www.entrehieloslodge.cl); pequenininho e tocado somente pela dona, Maria Paz e seu marido (os dois têm uma filhinha encantadora, a Valentina), puro charme em todos os aspectos – da decoração e atendimento ao café da manhã preparado literalmente na hora.

 

Aliás Tortel merece uma escala mais longa, para curtir a cidade construída na encosta de morros: as casas são todas em madeira, num estilo que lembra muito as casas sobre palafitas, e são todas interligadas por românticas passarelas de madeira. Ao chegar, todos deixam os carros no estacionamento público à entrada; a cidade não permite nem carros, nem motos, nem bikes (até porque não há mesmo como utiliza-los) e os trajetos ali são todos feitos à pé ou em barcos. Todos ingressam à pé, carregando suas próprias malas – e daí vale o lembrete primordial para quem a visita: deixe a mala mesmo trancada no carro e entre em Tortel com um mochila com as mudas de roupa suficientes para os dias em que se hospedará lá. Trekkings nas redondezas também são vendidos por ali, assim como belos passeios em barco para chegar a glaciares como Jorge Montt e alguns do parque Laguna San Rafael. Vale lembrar: não saia do hotel à noite sem um lampião ou lanterna: ultra natureba, Tortel não tem iluminação pública.

 

Texto e fotos: Mari Campos

 

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